Siza Vieira recebe o maior Prémio Britânico de Arquitectura

Publicado em sexta, 30 janeiro 2009 20:18

Álvaro Siza Vieira «é muito simplesmente um dos melhores arquitectos do mundo», escreveu esta semana o jornal britânico The Guardian, num artigo de fundo dedicado ao arquitecto português, que a 26 de Fevereiro recebe em Londres a \'Royal Gold Medal for Architecture 2009\', atribuída pelo Royal Institute of British Architects, em nome da Rainha Isabel II.

O galardão que vai ser entregue a Siza Vieira, existente desde 1848, é o mais prestigiado da arquitectura britânica, apesar de o criador português não ter nenhuma obra permanente construída no Reino Unido, à excepção do Pavilhão de Verão da Serpentine Gallery, em 2005, projectado em colaboração com Eduardo Souto Moura e Cecil Balmond.

«Acima de tudo, é um arquitecto profundamente completo e que desafia qualquer catalogação. Forjar uma arquitectura poderosa e que parece inevitável de entre todas as possibilidades de ocupação de um terreno é uma das características supremas do trabalho de Álvaro Siza Vieira. Ele manipula a sua leitura dos locais de uma forma que nunca é previsível ou comum e a que no entanto nunca é permitido dominar sobre a utilização ou a inteligibilidade tipológica», lia-se na decisão de atribuição da medalha, em Outubro de 2008.

Siza Vieira obteve a consagração internacional quando em 1992 recebeu o Prémio \'Pritzker\', talvez o mais ambicionado em todo o mundo no domínio da arquitectura. Em 1998 foi agraciado com a Medalha \'Alvar Aalto\', do nome do prestigiado arquitecto finlandês, e em 2001 com o \'Wolf Prize in Arts\'.

As obras mais destacadas de Álvaro Siza incluem as famosas Piscinas de Leça da Palmeira, a Casa de Chá da Boa Nova e a Igreja de Santa Maria em Marco de Canavezes, segundo o blogue \'A barriga do arquitecto\'. Entre os seus projectos mais recentes, aquele blogue refere a Adega Mayor, o Pavilhão de Anyang e o Complexo Desportivo Ribera Serralo (Piscinas Públicas) em Barcelona.

Comentando o facto de não ter praticamente obra no Reino Unido, Siza Vieira disse ao The Guardian que «talvez seja estranho receber esta medalha [sem ter] construído em Inglaterra, mas penso que um arquitecto deve fazer o melhor trabalho possível onde quer que a sua estrela o leve. Escolhi trabalhar sobretudo no meu país, que bom que o trabalho seja reconhecido pelos nossos mais antigos aliados».

«Desde o momento em que começou a construir, no começos dos anos de 1950, o mais celebrado arquitecto de Portugal procurou moldar vistas, revelar paisagens rurais, paisagem urbana, interiores e os caminhos através deles. O seu objectivo era deliciar a vista e fazer de cada criação um lugar de subtil revelação. Siza, agora com 75 anos, nunca foi um arquitecto de grandes declarações e grandes imagens. É, contudo, o desenhador e artesão de alguns dos mais apreciados edifícios modernos», escreveu John Glancey, o crítico de Arquitectura do The Guardian.

«Os edifícios de Siza são tão gentilmente inspiradores quanto são sotto voce; as suas casas térreas, inteligentes e de baixo custo, encontradas através de Portugal, podem ser descritas de igual modo», acrescenta Glancey.

Apesar de Siza Vieira considerar «desinteressante» e «pouco mais do que um jogo académico» qualquer tentativa de estabelecer as influências de um arquitecto sobre outro, o crítico do The Guardian não resiste a escrever que o arquitecto português «junta mais do que alguma coisa das preocupações de Le Corbusier, Alvar Aalto e Óscar Niemeyer, refractadas através das lentas definidoras do Porto, a cidade do norte de Portugal onde ele nasceu».

 

 

 

 

 

Camões, I.P.
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