Livro “Pyrene” de Fidelino de Figueiredo apresentado em Lisboa

Sessão decorreu hoje no Auditório do Camões, I.P.

Lisboa 14/10/2015 - O Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. acolheu hoje, no seu auditório, em Lisboa, a sessão de apresentação do livro “Pyrene”, de Fidelino de Figueiredo. A apresentação da obra esteve a cargo de Rita Aparecida responsável pela Cátedra Fidelino Figueiredo do Camões, I.P. na Universidade do Estado da Bahia.

O livro tem na sua génese as anotações de um curso ministrado por Fidelino de Figueiredo em 1931 nos Estados Unidos da América, as quais, compiladas na obra “Pyrene” em 1935, criaram um ponto de partida para a introdução à história comparada das literaturas portuguesa e espanhola.

Esgotada nas livariais desde há muitos anos, a obra foi agora reeditada pela Cátedra Fidelino Figueiredo na Universidade do Estado da Bahia.

Nas palavras de Cleonice Berardinelli, numa mensagem gravada em vídeo transmitida durante o evento, “Fidelino de Figueiredo foi no Brasil, praticamente, o criador dos estudos de Literatura Comparada. Foi ele um dos que mais se dedicaram a aprofundar a crítica comparativa das duas literaturas peninsulares, a de Espanha e a de Portugal”. Segundo a investigadora, Pyrene “é disto um belo testemunho”.

Esta apresentação ocorreu no âmbito do Congresso Internacional “Fidelino de Figueiredo – Filosofia e Literatura”, organizado pelo Instituto de Filosofia da Universidade do Porto (RG "Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal") e pela Cátedra Fidelino de Figueiredo, em parceria com o Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., e que decorre entre 12 e 15 de outubro de 2015.

Sobre o autor

Fidelino de Figueiredo (1888-1967) é uma figura exemplar para os estudos que cruzam a Filosofia com a Literatura. Tendo-se afastado do ambiente intelectual português por razões políticas, nunca fez do desterro um refúgio. Antes o aproveitou para alargar os horizontes do seu pensamento. O ensino − em países tão distintos como a Espanha, o Brasil ou os Estados Unidos – libertou-o das amarras do nacionalismo ideológico, tornando-o cada vez mais sensível ao que Goethe chamou um dia a “Literatura do Mundo”, um conceito que só se entende (em 1827 como hoje) se acreditarmos numa filosofia que possa transcender as identidades individuais ou nacionais. Para compreender a sua obra, temos pois de exercitar em nós um espírito comparatista que, no dizer de Cláudio Guillén, exclui os extremos e aprecia a deslocação. A visão que o século XX sobre ele desenvolveu nem sempre valorizou a sua arte ponderada, feita de angústias e dúvidas, de perguntas mais do que de respostas. Os que dividiram a sua obra em duas partes, a de cunho literário e a de crítica filosófica, não entenderam que ele as não dividia: eram partes alternadamente visíveis da mesma moeda. Os que o classificaram pelo seu pendor conservador, dizendo-o "setecentista" ou "oitocentista", acreditavam num modelo amoral para as Humanidades, impedindo-as de qualquer dimensão espiritual para as afirmarem como modernas.  www.fidelinodefigueiredo.blogspot.pt

O Camões - Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.) é um instituto público tutelado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) que tem por missão propor e executar a política de cooperação portuguesa e a política de ensino e divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro.

 

Lisboa, 14 de outubro de 2015                                                         

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