Luanda: Exposição e Ciclo “Memórias de Paz e Guerras”
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O Camões – Centro Cultural Português em Luanda inaugura, a 22 de abril de 2026, às 17h30, o ciclo “Memórias de Paz e Guerras”, uma iniciativa que propõe revisitar o passado recente através da fotografia, do cinema e das artes plásticas.
Desenvolvido em parceria com a Confederação - coletivo de investigação teatral, o projeto apresenta-se como um espaço de reflexão sobre as marcas deixadas por décadas de conflito e os processos de construção da paz, reunindo uma programação que inclui uma exposição, um ciclo de cinema e conversas com o público.
A exposição “Memórias de Paz e Guerras”, patente até 20 de maio de 2026, percorre cerca de sessenta anos de história em países como Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, bem como em Portugal. Entre os momentos evocados destacam-se as guerras de independência, a Revolução de 25 de Abril de 1974 e o fim do conflito armado em Angola, em 2002.
Organizada em dois núcleos complementares, a mostra apresenta diferentes formas de olhar e interpretar estas memórias.
O primeiro, “A Guerra Guardada visita Luanda”, centra-se na dimensão menos visível da história, aquilo que permanece fora do enquadramento imediato das imagens. Através da fotografia analógica, explora-se o potencial narrativo dos arquivos pessoais, questionando o que acontece quando as imagens são manipuladas, revisitadas ou reinterpretadas. Este núcleo inclui peças anteriormente exibidas no Museu do Aljube - Resistência e Liberdade, em 2022, bem como a instalação Carta à Mãe, do artista Lino Damião.
O segundo núcleo, “Se Fossemos Paz”, apresenta uma retrospetiva da obra de Lino Damião, reunindo trabalhos produzidos entre 2000 e 2025. Através da combinação de diferentes materiais, técnicas e suportes, o artista constrói uma leitura sensível e fragmentada da história recente de Angola, abordando os vestígios do colonialismo, o conflito armado pós-independência e a consolidação da paz a partir de 2002.
O ciclo de cinema decorre a 23 e 24 de abril de 2026 e propõe um olhar cinematográfico sobre a guerra colonial e a descolonização, cruzando documentário e ficção. As sessões serão seguidas de conversas com convidados.
No dia 23 de abril, às 15h00, será exibido o documentário Miragaia foi à Guerra (2024), produzido pela Confederação, que recupera memórias da mobilização de portugueses para a guerra colonial, a partir de testemunhos e arquivos fotográficos.
No mesmo dia, às 17h30, será apresentado A Respeito da Violência, 2014, de Göran Olsson, baseado na obra Os Condenados da Terra, de Frantz Fanon, propondo uma reflexão sobre descolonização e neocolonialismo.
O ciclo encerra a 24 de abril com a exibição de Nação Valente, 2022, de Carlos Conceição, uma ficção situada em 1974 que cruza diferentes perspetivas sobre a guerra em Angola.
As sessões contam com convidados como Maria da Conceição Neto, Fernando Pacheco e Kathrin Sartingen.
Com direção e coordenação de Tânia Saraiva e João Azeredo, e curadoria de Maria José Lobo Antunes, Inês Ponte e Kiaku Zambo, “Memórias de Paz e Guerras” afirma-se como uma iniciativa que cruza arte, memória e investigação, convidando à reflexão crítica sobre o passado e à construção de novas leituras sobre a história comum dos países de língua portuguesa.