No dia 7 de outubro de 2026, numa iniciativa conjunta das Embaixadas de Portugal e de Itália na Austrália, realizou-se, na National Portrait Gallery, em Camberra, uma conversa em torno da exposição “Arthur Boyd: Tapeçarias”, sobre a vida de S. Francisco de Assis e tecidas pela Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, que se encontra patente, na National Gallery of Australia, até ao dia 18 de outubro.
O debate contou com a participação de Vera Fino, Diretora da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, e do Padre Paolo Benanti, Padre da Terceira Ordem Regular de São Francisco, uma das principais referências internacionais na reflexão sobre a ética da inteligência artificial (IA), Professor de Ética da Tecnologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, antigo conselheiro do Papa Francisco para as questões da IA e membro do Órgão Consultivo das Nações Unidas sobre IA.
Perante uma audiência composta por representantes dos meios diplomático, político, científico, académico e cultural de Portugal, Itália e Austrália, o ponto de partida da conversa foi a exposição “Arthur Boyd: Tapeçarias”, onde se encontram três legados culturais excecionais: a obra de Arthur Boyd, um dos artistas australianos mais celebrados do século XX; a vida e o legado espiritual de S. Francisco de Assis, um dos santos padroeiros de Itália; e a mestria da Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, expressão singular do património artístico português, cujas tecedeiras transformaram os desenhos de Boyd em vinte tapeçarias monumentais, agora reunidas e expostas em conjunto pela primeira vez.
A discussão centrou-se na criatividade, no conhecimento, na responsabilidade e nos valores que queremos preservar numa época cada vez mais moldada pela IA. O Padre Benanti defendeu que o principal desafio da IA é, antes de mais, um desafio da governação: garantir que o desenvolvimento tecnológico permanece subordinado a princípios éticos e à responsabilidade humana. Apelou a um novo “RenAIssance”, em que a inovação continue centrada na pessoa humana e colocada ao serviço da dignidade humana e do bem comum. Por sua vez, Vera Fino recordou o valor insubstituível do trabalho artesanal, descrevendo o rigor, o conhecimento e a dedicação necessários para transpor para tapeçaria a visão artística de Arthur Boyd.
O resultado foi um diálogo particularmente rico entre património e inovação, tradição e tecnologia, recordando que algumas das questões mais importantes sobre o futuro podem ser exploradas através da cultura.
A iniciativa contou com o apoio do Camões, I.P.
Fotos: © Embaixada de Portugal em Camberra
