Em 2026, o Camões – Centro Cultural Português (CCP) em Bissau assinalou as comemorações do 25 de Abril, com um programa alargado, que reuniu iniciativas culturais, educativas e artísticas em diferentes formatos.
No dia 25 de abril, as celebrações incluíram a inauguração da exposição “Rosas de Liberdade / Rosas di Liberdadi”, a primeira exposição individual de Sulaivis (Sulaimane Bá), com curadoria de António Spencer Embaló. Com 25 obras dedicadas ao tema da liberdade, a mostra resulta de uma parceria com a Corubal – Cooperativa de Produção e Divulgação Cultural e Científica e a Galeria Jovem. A exposição permanece patente no CCP em Bissau até 8 de maio, seguindo depois em itinerância por várias regiões da Guiné-Bissau.
O programa integrou também uma conversa com a fotógrafa e investigadora Inês Ventura, centrada na relação entre imagem, memória e tempo, na qual foi apresentado o seu percurso, que cruza fotografia, cinema e antropologia, bem como o trabalho desenvolvido em torno de espólios fotográficos e da construção da memória coletiva na Guiné-Bissau, sublinhando o papel da imagem na criação de narrativas e identidades.
No domínio artístico, foi apresentada a canção original “Liberdade em cada olhar”, interpretada por alunos da Licenciatura em Língua Portuguesa da Escola Superior de Educação - Unidade Tchico Té, numa iniciativa que destacou o trabalho criativo dos estudantes e a forma como estes refletiram sobre o significado da liberdade através de uma composição coletiva, com letra e melodia construídas em conjunto, trazendo ao palco um olhar fresco sobre o legado de Abril.
As comemorações incluíram ainda a oficina “Flores de Abril”, dedicada ao público infantil, na qual as crianças foram convidadas a criar cravos em papel, explorando um dos símbolos mais emblemáticos da Revolução, numa atividade que articulou a vertente lúdica com a aprendizagem e a partilha, cruzando expressão artística e memória histórica, mantendo o cravo vermelho, associado à conquista da liberdade e da democracia, como elemento central na transmissão dos valores de Abril às novas gerações, e onde nasceram pequenas flores carregadas de significado, em gestos que sublinham como a liberdade também se constrói desde cedo.
Em Bafatá, a Escola Superior de Educação - Unidade Domingos Ramos assinalou igualmente a data com uma sessão de partilha e diálogo sobre liberdade, democracia participativa e cidadania, momento que ficou marcado pela interpretação de "Grândola, Vila Morena", contribuindo para um ambiente coletivo de memória e reflexão.
O programa ficou também marcado por uma performance do Grupo de Teatro do Oprimido, que evocou Amílcar Cabral num momento simbólico das celebrações, através de uma encenação que incluiu a representação da sua chegada à Embaixada de Portugal em Bissau, onde foi simbolicamente recebido pelo Embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, Miguel Silvestre.
No dia 28 de abril, no âmbito do Festival Europeu de Cinema 2026 e encerrando simbolicamente as comemorações, foi a estreia da curta-metragem “Bissau Vila Morena”, realizada por Manuel Loureiro e produzida pela Associação Ser Mudança, um documentário que retrata a evocação de Amílcar Cabral e Zeca Afonso e o diálogo de liberdade que une os dois povos e as suas histórias partilhadas, seguindo-se a exibição de Mionga ki obô: Mar e selva, de Ângelo Torres. O Festival Europeu de Cinema, organizado pela Delegação da União Europeia na Guiné-Bissau, em parceria com as Embaixadas dos Estados-membros da União Europeia, o Camões - Centro Cultural Português em Bissau, o Centro Cultural Franco-Bissau-Guineense e o Instituto Guimarães Rosa, afirma-se como um espaço de encontro, diálogo e partilha entre culturas através do cinema.
No seu conjunto, as iniciativas deram corpo a uma celebração plural do 25 de Abril, cruzando criação artística, participação comunitária e reflexão histórica.
Fotos: © CCP em Bissau e © Inês Ventura


