No dia 5 de maio de 2026, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. participou nas celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, organizadas por iniciativa da Academia das Ciências de Lisboa, em colaboração com a Academia Brasileira de Letras e o Instituto Internacional da Língua Portuguesa, numa sessão especial que contou com presença, em assinalável número, de representantes do Corpo Diplomático acreditado em Portugal, Institutos Culturais, académicos e público em geral.
A iniciativa, dividida em quatro momentos essenciais, contou com palavras de abertura do Presidente da Academia das Ciências de Lisboa, José Francisco Rodrigues, do Presidente da Academia Brasileira de Letras, Marvel Pereira, da Presidente do Conselho Diretivo do Camões I.P., Florbela Paraíba, e do Diretor do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, João Neves, a que se seguiu uma alocução de António Sampaio da Nóvoa, Embaixador português na UNESCO entre 2018 e 2021.
Seguiu-se um painel dedicado à literatura em língua portuguesa, em jeito de testemunhos pessoais, no qual intervieram Ana Paula Tavares, Antônio Torres, Germano Almeida, Lídia Jorge e Mia Couto.
A apresentação pública do Atlas Lexicográfico da Língua Portuguesa foi incluída no programa destas celebrações, dirigida pela Presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa, Ana Salgado, com intervenções descritivas também por parte do Diretor do Instituto Internacional da Língua Portuguesa e do filólogo e linguista brasileiro Ricardo Cavaliere.
O encerramento deu-se invocando Luís de Camões, na dimensão universalista que este nome maior da língua portuguesa representa. Através de leituras de excertos de “Os Lusíadas” em língua portuguesa, por José Manuel Mendes, mas também em traduções para línguas como o polaco (Sabina Strózik), o grego moderno (Aristea Sapera), o árabe (Abdeljelil Larbi), o arménio (Vahé Miktarian) ou o chinês (Sun Yiyuan), pretendeu-se sublinhar a importância que, nos últimos 500 anos, outros povos têm reconhecido à língua portuguesa por via da tradução da grande criação literária que é a epopeia de Camões.
Na mesma linha, lançando mão de uma outra forma de linguagem, a assistência foi convidada a fazer um exercício de imaginação dentro do tema literário transversal da “viagem” acompanhando alguns sons que, especulativamente, Camões poderá ter ouvido nas suas andanças pelo mundo, e outros que, nos dias de hoje, colhem nele inspiração criativa, provado que Luís de Camões é, afinal – como diz Helder Macedo – um nosso contemporâneo. Nesta viagem sonora, foram interpretados temas instrumentais em guitarra de Coimbra e viola, por Luís Barroso e Luís Carlos; pipa, um cordofone chinês magistralmente tocado por Lu Yanan; kora, harpa-alúde popular na África Ocidental, por Ebrima Mbye; e guzheng, uma espécie de cítara chinesa tocada por Li Yanchun.
Fotos: © ACL e © Camões, I.P.